Eventos: Dragão do Mar homenageia mulheres com o ciclo programático “Bárbaras: Mulheres do Ceará”

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Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, efeméride comemorada no dia 08 de março, o Dragão do Mar preparou o ciclo “Bárbaras: mulheres do Ceará, que ofertará ao público, ao longo do mês, atrações em linguagens diversas, a maioria delas gratuita. A programação homenageia figuras femininas que marcaram a história do Ceará e continuam a ser referência em diferentes campos da cultura, dos movimentos sociais, da política e das artes, com debates, shows, exposições, espetáculo, e exibições de filmes. A programação completa pode ser conferida no site www.dragaodomar.org.br.

Segundo Paulo Linhares, presidente do Dragão do Mar, toda a programação foi concebida para homenagear mulheres que tiveram uma participação fundamental na História do Ceará, nos mais diferentes campos da vida social. Nomes como Bárbara de Alencar, Rachel de Queiroz, Maria da Penha, Preta Simoa e Cacique Pequena foram protagonistas em suas diferentes áreas de atuação e continuam a inspirar as novas gerações, que seguem, cotidianamente, a lutar por visibilidade e reconhecimento. Essas precursoras são homenageadas com grandes paineis que ocuparão espaços do centro cultural, identidade visual criada pelas ilustradoras Nadiuska e Priscila Furtado (Uinverso).

Debates

O grande destaque da programação é a série de encontros “As mulheres que fazem nossa história”. Dividido em dois eixos temáticos, o ciclo reunirá personalidades femininas cearenses para discutir a falta de visibilidade das mulheres na História oficial do Estado. Sociólogas, artistas e lideranças foram provocadas a propor temas que discutam a presença/ausência da mulher nos campos da política, das lutas e dos movimentos sociais e da arte e da cultura.

Nos dias 13 e 15 de março, a temática abordada será “O Protagonismo feminino e a invisibilidade da mulher na História”. Maria Luiza Fontenele, primeira mulher a ser eleita prefeita de uma capital brasileira, e a socióloga Irlys Barreira abrem o debate, que contará com mediação da socióloga Paula Vieira, no dia 13 de março. No dia 15, a socióloga Monalisa Soares media a conversa entre a líder indígena Cacique Pequena e Karla Alves, membro do Pretas Simoa, Grupo de Mulheres Negras do Cariri.

Mulheres na produção de narrativas nas artes” será o tema que orientará os dois encontros seguintes, no dia 20, com a historiadora Adelaide Gonçalves, e no dia 22, com a atriz Fran Teixeira e a bailarina e coreógrafa Wilemara Barros, que dialogam sobre ser mulher na produção artística. A conversa será mediada pela cantora e atriz Natasha Faria.

No dia 8 de março, o Museu da Cultura Cearense (MCC) promove o “Diálogo Cultural As Mulheres e a Arte”. A partir das 18h, no miniauditório do MCC, artistas de múltiplas linguagens são convidadas para falar sobre problemáticas relacionadas à (in)visibilidade feminina na arte. Onde estão as mulheres na história da arte? E onde estão as artistas? O que elas estão produzindo? Essas e outras questões serão discutidas entre Raquel Santos (Coletivo Mulheres no Grafiti), Alexsandra Ribeiro (grafiteira Dinha), Maruska Ribeiro (performancer de rua) e o coletivo Mulheres da Imagem – CE. O acesso é gratuito e aberto ao público.

Atualizando as lutas cotidianas da mulher, no dia 10, a partir das 16h, o auditório do Dragão do Mar sediará o debate “Estratégias e liderança feminina para sustentabilidade na moda”. As jornalistas Gabi Dourado e Clara Dourado (As Desenroladas) e a designer de moda Mariana de Castilho (Pavão Misterioso) debatem o tema, que contará com mediação de Amanda Ávila, autora do “Guia de sustentabilidade para eventos de Moda”. O acesso é gratuito e livre.

Exposições

Os espaços expositivos do Dragão também abrem espaço para abordar questões ligadas às mulheres, seja convidando artistas a exporem seus trabalhos, seja o feminino uma referência que permeia as mostras. 

MULHER VÍRGULA!

Com curadoria de Cecília Bedê, será aberta, no dia 15 de março, a partir das 18h, na Multigaleria do Dragão, “Mulher Vírgula!”, mostra coletiva que se propõe como espaço de debate para além da temática do feminino, rebatendo esteriótipos e quebrando padrões. Dezenove artistas que materializam em diversas linguagens artísticas embates frontais a partir de suas presenças na arte, no trabalho, na política, na maternidade, na rua, no corpo e na cultura. Integram o coletivo Aline Albuquerque (instalação), Clara Capelo (fotografia), Fernanda Meireles (instalação com lambes), Aspásia Mariana, Beatriz Gurgel, Dhiovana Barroso, Elisa de Azevedo, Emi Teixeira, Marissa Moana, Micinete, Renata Cidrack, Shéryda Lopes, Flávia Memória (instalação), Ingra Rabelo (desenho/intervenção), Julia Debasse (pintura), Lia de Paula (fotografia), Marina de Botas (desenho), Simone Barreto (desenho) e Virgínia Pinho (vídeo). A mostra segue aberta até 8 de abril, com visitações gratuitas de terça a domingo, das 14h às 21h (com acesso até 20h30).

/SIMULTÂNEOS/

No dia 08 de março, a partir das 18h, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC|CE) abre /Simultâneos/, bloco composto por cinco pequenas mostras.

O maranhense Thiago Martins de Melo apresenta um conjunto poético que convida o público a discutir o colonialismo por meio da metanarrativa. Com o filme de animação “Barbara Balaclava” (2016), o artista apresenta a trajetória de uma mártir anônima desde a desapropriação e massacre de sua aldeia e sua morte sob tortura policial até sua experiência como “encantada” encontrando a si mesma em encarnação anterior e culminando em seu batismo no coração de Pindorama. Bárbara balaclava é uma narrativa anarco-xamanista de transcendência da luta anticolonialista.

/Simultâneos/ traz ainda “Montar uma Ruína”, de Lis Paim. A artista visual baiana radicada em em Fortaleza exibe, pela primeira vez, seu arquivo audiovisual constituído a partir da edificação em ruína do Alagoas Iate Clube – o Alagoinha, um antigo clube modernista localizado dentro do mar da orla de Ponta Verde, na cidade de Maceió (AL). Alvo de peculiares ocupações transitórias e de ameaças constantes de desaparecimento desde o momento da sua desapropriação e abandono pelos vários governos em Alagoas, a imagem do Alagoinha na paisagem urbana é a de um apêndice; uma aresta consentida e mal aparada de Maceió: um lugar de limbo.

Em outra sala, o MAC|CE apresenta “Telma Saraiva – Artífice da Imagem”. A mostra aproxima dois pequenos núcleos de fotografias, um na dimensão do doméstico, que retrata a sua filha Edilma Saraiva em diferentes fases, e outro composto por um conjunto de fragmentos de álbuns de família da cidade de Várzea Alegre/CE, a partir de um conjunto de imagens produzidas pelo Foto Saraiva, pela artista Telma Saraiva, que evidencia a sofisticação de pensar, executar e reinventar a fotografia na metade do século passado no Cariri cearense (Crato/CE), ao inovar, à época, com o uso da fotopintura, detalhamento de fotografias a partir de pintura com tintas, técnica que a projetou nacionalmente.

Na Sala Experimental, a curadora Carolina Vieira elege algumas obras do Acervo MAC e da Pinacoteca do Estado do Ceará e apresenta um recorte que tem a proposta de envolver principalmente mulheres, mas não necessariamente falar do feminino. Há trabalhos que apresentam, de alguma maneira, a energia feminina ao exibir imagens que remetem às noções de trama, memória, conexão e rede de apoio. O trabalho manual aparece em obras que envolvem tapeçaria, desenhos, instalação e pinturas. A sala apresenta duas obras bastante significativas: uma imagem de Nossa Senhora com seu manto coberto de carrapichos, do artista Euzébio Zloccowick, e uma gravura de Nossa Senhora dos Escribas, de Francisco de Almeida. Elas são o ponto de partida para pensar a organização das demais obras. De um lado, uma parede com obras totalmente brancas, com molduras brancas, montadas num fundo branco, e, do lado oposto, uma parede tomada por uma tapeçaria caoticamente colorida. Essas duas paredes são compostas por trabalhos de três artistas mulheres – Heloísa Juaçaba, Guiomar Marinho e Laura Vinci -, quase como uma intenção de criar um campo de força, com linhas invisíveis, que atravessam toda a sala.

Além das quatro minimostras que permeiam, de alguma forma, o universo feminino, /Simultâneos/ apresenta ainda a instalação “Você Gostaria de participar de uma experiência artística? Circulação & repouso”, de Ricardo Basbaum, que convida o público à participação. O artista paulista radicado no Rio de Janeiro propõe o envolvimento do outro como participante em um conjunto de protocolos indicativos dos efeitos, condições e possibilidades da arte contemporânea. O projeto se inicia com o oferecimento de um objeto de aço pintado (125 x 80 x 18 cm) para ser levado para casa pelo participante (indivíduo, grupo ou coletivo), que terá um certo período de tempo (em torno de um mês) para realizar com ele uma experiência artística.

/ Simultâneos / segue em cartaz até 29 de abril. O acesso é gratuito. Visitação até 13 de maio de 2018, de terça a sexta-feira, das 9h às 19h (com acesso até as 18h30); e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (com acesso até as 20h30).

Shows

Também no dia 8, Dia Internacional da Mulher, o Dragão do Mar apresenta o show Bárbaras Mulheres. A partir das 20h, o Anfiteatro Sérgio Motta será palco para as apresentações dos projetos Androginismo e Las Tropicanas. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingressos liberados na bilheteria do Dragão do Mar, duas horas antes do espetáculo. Será permitida a retirada de até dois ingressos por pessoa, mediante apresentação de RG.

Assinado pelo Coletivo Artístico As Travestidas, Androginismo traz o encontro entre a transformista cearense Gisele Almodóvar, alter ego do ator Silvero Pereira e a cantora transexual gaúcha Valéria Houston. Um show que, ao percorrer a fina-flor da música brasileira e de hits internacionais, promove, de forma metafórica e afetiva, o rompimento dessas fronteiras de gênero tão presentes nos nossos substratos culturais e sociais.

Com direção musical do produtor musical Cláudio Mendes e encabeçado pelas cantoras Lorena Nunes, Di Ferreira e Pepita York (personagem feminino de Jeff Pereira), o show “Las Tropicanas” convida o público a bailar, com um animado repertório focado em música latina.

Cinema

No ciclo “Bárbaras: Mulheres do Ceará” também há espaço para os amantes da sétima arte. O Cinema do Dragão traz Bárbaras, mostra cinematográfica que nasce a partir do desejo de destacar um recorte do cinema de curta-metragem dirigido por mulheres cearenses que vem se destacando no circuito de festivais, em nível local e nacional. Tomando os curtas como ponto de partida, o Cinema apresenta sessões duplas com longas-metragens que estabelecem conexões e diálogos sobre temas caros à cinematografia brasileira recente.

Entre as questões evocadas pelos filmes, destacamos a questão do direito à habitação e ocupação do espaço urbano em Muros  (6 min), de Sunny Maia e Pedro Palácio, e Era o Hotel Cambridge (99 min), de Eliane Caffé, que serão exibidos no dia 17 de março; além da juventude, sexualidade e gênero em Vando Vulgo Vedita (20 min), de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus, e Mãe só há uma (88 min) de Anna Muylaert, que serão exibidos no dia 24 de março; a experimentação do gênero de horror em O Vigia, (19 min) de Priscilla Smiths e P.H Diaz,  e A misteriosa morte de pérola (62 min) de Ticiana Augusto Lima e Guto Parente, exibidos no dia 31 de março.

As sessões acontecerão sempre às 19h30 na Sala 1 nos dias 17, 24 e 31 de março, e serão seguidas de debates com as realizadoras cearenses Sunny Maia, Andreia Pires e Priscila Smiths. O acesso é gratuito.

Como forma de discutir o protagonismo feminino nas artes, o núcleo educativo do Museu da Cultura Cearense realizará, nos dias 6, 7 e 9 de março, o ciclo de cine debates “Mulheres e realizações audiovisuais”, com exibição gratuita de curtas produzidos por mulheres. No dia 6, será exibido “Maria de minha infância”, de Andrezza Feitosa, e após a exibição a realizadora conversará sobre o projeto com o público. No dia 7, Priscila Smith apresenta “O Vigia”, premiado no Festival NOIA 2017, e depois bate-papo com Alessandra Krueger. No dia 9, será a vez do Coletivo Tentalize exibir “Rotinas”. A exibição será seguida de debate entre a realizadora e Lucianna Silveira. Todas as sessões serão iniciadas às 17h30, no miniauditório do MCC.

Teatro

Encerrando a programação comemorativa do Dia da Mulher, o Dragão do Mar também traz espetáculo gratuito. Nos dias 30 e 31 de março e no dia 01 de abril, o Coletivo Manada apresenta “Aquelas – Uma dieta para caber no mundo”, construção colaborativa que grita as urgências do “ser mulher” na sociedade. O espetáculo faz reviver Maria de Bil, santa popular de Várzea Alegre, município do Cariri cearense, assassinada no ano de 1926 pelo seu companheiro. Partindo da pessoalidade das intérpretes Monique Cardoso e Juliana Veras, e com uma encenação brutalmente delicada de Murillo Ramos, AQUELAS instaura uma narrativa cínica e cúmplice com a plateia, através de imagens, objetos e músicas, transformados em um jogo cruel. Uma dieta diária para caber no mundo. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingressos liberados na bilheteria do Dragão do Mar, duas horas antes do espetáculo. Será permitida a retirada de até dois ingressos por pessoa, mediante apresentação de RG. Classificação 14 anos.

Com direção da renomada diretora e pesquisadora teatral Herê Aquino, o grupo Pavilhão da Magnólia estreia, nos dias 8, 9, 10, 11, 15, 16, 17, 18 ,23, 24 e 25 (de quinta a domingo), no Teatro Dragão do Mar, sempre às 20h, “Maquinista”. O espetáculo, que conta a história de um “ator” trambiqueiro que entrou para o bando de Lampião, com a promessa de montar uma peça de Shakespeare, transita nos versos e narrativas de dois cantadores repentistas.  O valor dos ingressos é R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Fuxico no Dragão Especial Elas nas Pickups

No último domingo, 4, das 16h às 20h, na Arena Dragão do Mar, o Fuxico no Dragão iniciou edições especiais com o tema “ELAS nas pickups”. A DJ Famosa abriu a programação, animando a feira de produtos de criativos e gastronômicos. O Fuxico no Dragão Elas nas Pickups continua nos dias 11 e 25 de março, quando se apresentam as DJ´s Bia Gondim e Betty Silvério, respectivamente.

Serviço: Programação “Bárbaras: Mulheres do Ceará”

Debates, shows, exposições, exibições de filmes e espetáculo teatral, no mês de março, no Dragão.

*Espetáculo de teatro e shows gratuitos com retirada de acesso na bilheteria, no dia, duas horas antes da abertura, com retirada de até dois ingressos por pessoa (mediante apresentação de RG).
** Espetáculo Maquinista com ingressos vendidos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

A programação completa pode ser conferida no site www.dragaodomar.org.br.

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