
A dica de cinema desta semana é KARDEC, um filme sobre a biografia do educador francês Hypolite Leon Denizard Rivail, reconhecido mais tarde como Allan Kardec. Além de tradutor e escritor, Kardec é conhecido por ter codificado o espiritismo, uma das doutrinas mais praticadas no Brasil. Ele escreveu os cinco livros que compõem a Codificação da Doutrina Espírita, entre eles “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”.
Um dos aspectos positivos do filme é recriação de Paris nos meados do século XIX, atenta aos detalhes, que apesar de não chegar ao nível das produções gringas, é bastante competente. Para isso são empregadas tanto técnicas de computação, para os planos aéreos e de contexto, quanto decorações com diversos tipos de carruagens, lampiões e placas penduradas, por exemplo. A fotografia de Nonato Estrela procura valorizar a textura das imagens para tornar este passado mais real. Destaque para o plano de Paris com os grandes moinhos de vento ao fundo.
A linha do tempo é precisa e estabelece todos os pontos principais da história do autor em relação ao seu trabalho na criação da doutrina espírita. A narrativa é simples, mesmo para quem não é familiarizado com relação à história real. Porém, os diálogos são extremamente auto-explicativos e redundantes, como são cadenciados ao máximo, nos faz lembrar uma peça de teatro ou uma novela de época.
Outro ponto positivo são os momentos em que Kardec (Leonardo Medeiros) e sua esposa Amélie (Sandra Corveloni) conhecem e vão se aprofundando na realidade espírita, onde ele vai deixa de lado o ceticismo e ela o apoia incondicionalmente.
Apesar de ter uma temática espírita, não é um filme sobre o espiritismo, mas sim, sobre investigação e criação de métodos para racionalizar coisas que até então não poderiam ser racionalizadas.