O Beijo da Mulher-Aranha: entre o brilho do musical e o peso do drama

O Beijo da Mulher Aranha chega aos cinemas como uma reimaginação ousada e visualmente impressionante de uma história que já passou por várias formas — do romance original ao musical da Broadway e ao clássico filme dos anos 80. Nesta versão dirigida por Bill Condon, o cineasta tenta equilibrar a força emocional do drama prisional com o espetáculo de um musical hollywoodiano, e o resultado é ao mesmo tempo cativante e imperfeito.  

💫 O que funciona muito bem

Um dos maiores méritos do filme está nas performances dos protagonistas. Tonatiuh, no papel de Molina, entrega uma atuação cheia de nuances — vulnerável, carismático e comovente — que muitas vezes sustenta o filme nos momentos mais densos. Diego Luna também se destaca como Valentín, fazendo com que a evolução da relação entre os dois ganhe profundidade e humanidade. 

E claro, é impossível ignorar o brilho de Jennifer Lopez nas sequências musicais. Mesmo sendo uma aposta ousada colocá-la como o centro desse espetáculo — com canto e dança carregados de glamour old-Hollywood — ela conquista com sua presença magnética na tela, trazendo energia e compromisso ao papel. 

Visualmente, o filme é um deleite: cores vibrantes, figurinos elaborados e sequências fantásticas capazes de encantar quem gosta de um musical cinematográfico. 

⚠️ Mas nem tudo funciona tão bem

Apesar de suas qualidades, O Beijo da Mulher Aranha nem sempre consegue harmonizar seus dois mundos — o drama sombrio da cela e o escapismo musical. Algumas transições entre a realidade fria da prisão e os números enfeitados parecem abruptas, prejudicando o ritmo da narrativa e deixando momentos que poderiam ser mais impactantes parecerem desconectados. 

O equilíbrio tonal também é um desafio: quando está imerso no universo musical, o filme brilha; porém, nas partes dramáticas, ele às vezes se arrasta, fazendo com que o público queira ver mais da conexão íntima entre os personagens e menos do espetáculo em si. 

Além disso, embora a abordagem visual seja audaciosa, há quem veja as escolhas estilísticas como excessivas ou pouco sutis — uma crítica que pode afastar espectadores que preferem narrativas mais contidas ou emocionalmente diretas. 

🎬 Conclusão

O Beijo da Mulher Aranha é um filme ambicioso e cheio de energia, com atuações memoráveis e momentos que realmente tocam o espectador. Ainda assim, sua tentativa de casar musical extravagante e drama gritante nem sempre atinge o ponto ideal, resultando em uma experiência cinematográfica que é tanto fascinante quanto frustrante em momentos distintos. 

Se você gosta de filmes que desafiam gêneros e oferecem grande performance de elenco, ele merece sua atenção — mesmo que não se torne um clássico instantâneo. 

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