Quando a estética não salva: O Morro dos Ventos Uivantes entre o belo e o vazio

A nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, que chega aos cinemas no dia 12 de fevereiro, impressiona logo de cara pela qualidade técnica irrepreensível. A fotografia é belíssima, os figurinos são sofisticados, o design de produção é cuidadosamente elaborado e cada plano parece pensado para ser visualmente impactante. Tecnicamente, é um filme que funciona — e funciona muito bem.

O problema é que a forma não sustenta o conteúdo.

Apesar de toda essa excelência estética, a adaptação praticamente não tem relação com a obra original de Emily Brontë. A essência trágica, sombria e psicológica da história foi substituída por uma leitura que opta quase exclusivamente por um caminho erótico e provocativo, que pouco ou nada dialoga com o que torna O Morro dos Ventos Uivantes um clássico da literatura.

O amor obsessivo, destrutivo e moralmente ambíguo entre Catherine e Heathcliff dá lugar a uma abordagem superficial, muito mais preocupada em chocar ou seduzir visualmente do que em explorar a complexidade emocional, social e simbólica da narrativa. A intensidade existe, mas é vazia — falta densidade, conflito interno e, principalmente, fidelidade ao espírito da história.

É frustrante perceber que toda a qualidade técnica não agrega absolutamente nada ao filme. A fotografia linda não compensa um roteiro desconectado. Os figurinos impecáveis não salvam personagens mal compreendidos. No fim, o que sobra é a sensação de um filme que parece bonito, mas não diz nada.

É como olho verde e gente bonita que não serve para nada: chama atenção, impressiona à primeira vista, mas não sustenta uma relação mais profunda. E para uma obra que fala justamente sobre obsessão, dor e vínculos que atravessam o tempo, isso é um desperdício enorme.

Essa versão de O Morro dos Ventos Uivantes até pode agradar quem busca impacto visual e erotização estilizada, mas dificilmente satisfaz quem esperava uma adaptação que respeitasse a alma de um dos romances mais intensos da literatura inglesa.

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