Cinema: Babilônia de Damien Chazelle tenta ser um épico, mas peca pelos excessos

Os anos 20 nos Estados Unidos são conhecidos como Anos Loucos e isso não é à toa, assim como o cinema é conhecido como a sétima arte! Uma indústria em ascensão e os excessos de uma América, aliado ao contrabando de álcool e drogas com mudanças socioculturais fortíssimas, tornaram a sociedade dessa época bem louca mesmo! E é neste contexto que Damien Chazelle cria uma sátira tragicômica do cinema na época da transição do mudo para o falado nos Estados Unidos. Decadência, depravação e excessos escandalosos dão a tônica do filme Babilônia (Babylon), que conta com astros como Brad Pitt, Margot Robbie e Tobey Maguire em seu elenco.

O começo é promissor com uma festa insana, libertina, com direito a drogas, sordidez e até elefantes (que gera altas expectativas para a trama). Tudo isso para apresentar os personagens centrais da trama: Nellie LaRoy (Margot Robbie), Jack Conrad (Brad Pitt), Sidney Palmer (Jovan Adepo) e Manny Torres (Diego Calva). E através das jornadas deles, acompanhamos a crise que incendiou a indústria quando o filme O Cantor de Jazz (1927) levou o som às salas de cinema e como foi difícil essa transição.

Nellie (baseada em várias atrizes da vida real como Joan Crawford e Clara Bow) é uma mulher extrovertida que se julga uma estrela nata, prestes a ser descoberta. Representa uma atriz “white trash”, ou seja, em classe e sem limites, e com certeza, um verdadeiro furacão que sempre rouba a cena; Jack é um veterano do cinema, conhecido e aclamado por todos, um dos atores mais bem pagos de sua época. E que sempre busca a inovação na arte, sem sequer notar que pode estar ficando no passado; Sidney Palmer, trompetista negro que encontra o sucesso nas orquestras cinematográficas; Manny, inspirado no produtor cubano da época, Rene Cardona, que se tornou um executivo dos estúdios, e a estrela mexicana Ramón Novarro; e com eles, o espectador consegue vê os dois lados de mesma moeda, a busca e persistência pela arte, assim como também a destruição de sonhos numa indústria em transição, repleta de tragédias, egos e competitividade.

O filme fala sobre ambição e é extremamente ambicioso com muitas cenas grandiosas. Desde a primeira cena, fica nítido que é uma produção onde tudo precisa ser maior, extravagante e imponente. Mas, Babilônia não é somente um filme sobre as extravagâncias hollywoodianas do final da década de 1920. Chazelle tenta dá outra abordagem para filmes que falam sobre filmes e criar um épico para homenagear a magia do cinema e ao mesmo tempo, fazer uma crítica pertinente à indústria. Afinal, todo mundo sabe que se tem algo que Hollywood ama é Hollywood. Mas derrapou! Aliás, se fosse resumir Babilônia a uma palavra seria “caos”.

Entrega tudo em 1h30, o problema é que se estende desnecessariamente e acaba se tornando cansativo, mesmo com seu ritmo frenético. O maior problema é justamente seu grande diferencial: a grandeza exacerbada! A questão é que o excesso é mais importante do que onde a obra quer chegar. Chazelle se apropria do “fin de cinema” de Jean-Luc Godard e da imagem de Gene Kelly cantando na chuva para homenagear a sétima arte, mas não se aprofunda nas revoluções que permeiam o contexto do longa, o que deixa a sensação que falta algo. Apesar de ser um problema, não significa que seja ruim. No final, Babilônia mostra que o cinema não morreu e provavelmente continuará se reinventando para encantar multidões por aí, de um jeito ou de outro. E que podemos ter certeza, que sempre haverá alguém que vai se identificar com o que está passando naquela enorme tela!

Babilônia estreia no dia 19 de janeiro de 2023 nos cinemas brasileiros.

Sinopse: Em “Babilônia”, no final da década de 1920, Hollywood passa por um período de grande mudança, com a transição do cinema mudo para os filmes falados. Uma grande estrela da indústria, cheia de sucessos de bilheteria, Nellie LaRoy, ascende em sua carreira, migrando com sucesso de um modelo cinematográfico para o outro. Porém, nem todas os atores têm a mesma sorte, trazendo, a inovação tecnológica, dificuldade para alguns.  

Direção: Damien Chazelle

Roteiro: Damien Chazelle

Elenco: Brad Pitt, Margot Robbie, Diego Calva

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