Eventos: Twenty One Pilots faz sua estreia no Rock in Rio com show contagiante e fecha edição que marcou nova era do Palco Mundo 

O Rock in Rio 2026 chegou ao fim neste domingo com uma noite repleta de atrações de diferentes gêneros musicais em todos os seus palcos. Encerrando com chave de ouro a edição que marcou a nova era do Palco Mundo, Twenty One Pilots fez sua estreia no festival entregando um show emocionante e repleto de energia, coroando uma edição marcada por momentos históricos: da apresentação lendária de Elton John à chegada do K-pop. Este ano, mais de 700 mil pessoas circularam pela Cidade do Rock para aproveitar os 190 shows, mais de 1.300 artistas e 45 apresentações internacionais que aconteceram ao longo dos sete dias de festival. 

“Que bacana poder viver momentos como os que aconteceram nesta edição. A gente fala muitas vezes daquele primeiro Rock in Rio, em 1985, com o Freddie Mercury regendo a plateia de milhares de pessoas. Mas nós, aqui, também podemos viver momentos históricos. E que honra! A vida passa muito rápido, há um excesso de informação e uma quantidade de conteúdo que a gente mal consegue digerir. Não podemos deixar passar batido uma declaração de amor de um cara como o Elton John para o Brasil. A gente tem que valorizar e entender o quanto o Brasil entregou para um artista dessa dimensão. E não vamos deixar isso ser esquecido nunca”, afirmou Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, em coletiva realizada na tarde deste domingo, na Cidade do Rock. 
 

No Palco Mundo, que em 2026 ganhou um telão de LED de 2,4 mil metros quadrados, a noite teve início com o furacão Ivete Sangalo que, como de costume, incendiou o público da Cidade do Rock com um setlist recheado com sucessos mais conhecidos como “Macetando”, “Poeira”, “Energia Gostosa”, “Dançando” e “Pequena Eva”. Em sua 20ª apresentação no Rock in Rio, contando as edições do Rio de Janeiro, Lisboa, Madri e Las Vegas, “Mainha”, levou para o festival o show “A La Sangalo”, no qual inclui canções como “NUEVAYoL”, de Bad Bunny, e “Corazón Partío”, que já ganhou uma gravação na voz da baiana, em parceria com Alejandro Sanz. 
 

Lola Young fez sua estreia no país entregando uma performance que mostrou toda potência de sua voz. A artista comprovou a fama dos fãs brasileiros, elogiando o público que correspondeu à altura e apoiou a artista do início ao fim, mesmo sob a chuva. Em “Spiders”, ficou visivelmente emocionada e confessou ao público suas reflexões sobre guerras e inteligência artificial para, em seguida, dizer: “Vocês são a melhor plateia da minha vida”. O show terminou com “Messy”, hit mundial que rendeu a Lola Young o Grammy Awards e o BRIT Award, em um grande coro na Cidade do Rock. 
 

A penúltima artista a se apresentar no Palco Mundo foi Halsey que, em sua estreia no festival, literalmente, colocou fogo por toda a extensão do espaço. A norte-americana entregou um show performático, desceu até a grade para cantar perto dos fãs e, na sequência, pediu que a plateia acendesse as lanternas do celular em “Without Me”. No repertório, que passeou por versões mais roqueiras de sua discografia, a artista ainda apresentou os sucessos “Hurricane” e “Closer”. 
 

O Twenty One Pilots encerrou a programação do Palco Mundo com um show de alta intensidade, combinando rock e uma produção marcada pelo dinamismo de Tyler Joseph e Josh Dun. Em sua estreia no Rock in Rio, o duo revisitou diferentes fases da carreira em um repertório que passou por sucessos como “Heathens”, “Shy Away” e “Jumpsuit”, além de apresentar músicas mais recentes, como “Overcompensate”, que abriu o show. A apresentação também foi marcada pela intensa interação com a plateia: em diferentes momentos, os músicos foram suspensos pelo público em pequenas plataformas — ao final, inclusive, tocando tambores em cima do público. Josh Dun ainda escalou uma estrutura para tocar bateria das alturas. Já na reta final, Jonathan, segurança do festival e fã da banda, ganhou uma surpresa especial e subiu ao palco para cantar “Ride”, um dos clássicos do duo. Em uma noite de estreia, o Twenty One Pilots transformou o Palco Mundo em parte do espetáculo e encerrou a edição com o público no centro da cena. 
 

Palco Sunset tem Zara Larsson como headliner deste domingo  
 

A abertura do Palco Sunset foi marcada pelo show “Carol Biazin convida Joyce Alane”, encontro de duas vozes da nova geração da música brasileira. Biazin iniciou a apresentação transitando pelo pop rock e R&B, com canções como “Dilemas da vida moderna” e “Sou do mundo”. Quando Joyce Alane subiu ao palco, as duas cantaram juntas “Tudo com você”, parceria entre as artistas. Em seguida, Joyce assumiu os vocais para apresentar “Idiota raiz”, feat com João Gomes, levando ao festival sua mistura de pop e referências da música nordestina. 
 

Em seguida foi a vez do Pará brilhar com a estreia de Joelma no Rock in Rio. A artista amendou clássicos da carreira como “Anjo”, “A Lua Me Traiu” e “Passe de Mágica”, reservando espaço para seu tradicional momento de “bater cabelo” com o público. A apresentação contou com participação especial da “Rainha do Tecnomelody”, Viviane Batidão, que fez a temperatura subir em “Balanço do Norte” e “Vem Meu Amor”. 
 

Marina Sena levou um show performático e cheio de personalidade, que ganhou ainda mais força com a participação especial de Céu. Diante de um público que lotou o espaço mesmo sob a chuva, a cantora abriu a apresentação com “Numa Ilha” e “Coisas Naturais” e transitou por diferentes momentos do repertório, com destaque para “Carta de Maria”, “Ouro de Tolo” e uma versão mais lenta de “Por Supuesto”. Ao lado de Céu, Marina cantou “Varanda Suspensa” e “Malemolência”. O show terminou em alta, com “Carnaval” e “Desmitificar”, reforçando o carisma da artista. 
 

A headliner do Palco Sunset fez uma apresentação marcada pelo carisma e pela interação com o público. Zara Larsson surgiu vestida com um top verde e amarelo, entregando não só potência vocal, mas também muita interação e coreografias vibrantes, suas marcas registradas, com direito a um quadradinho — famoso no funk carioca. A artista chamou ao palco o fã Sayron, que recebeu a já tradicional camisa grafitada por Larsson, e entregou passos precisos e muito vogue ao dançar “Lush Life”. Em “Midnight Sun”, o protagonismo foi da plateia: diversas pessoas entraram na trend e ergueram os amigos no ar. Em uma noite de muita dança e conexão, Zara deixou o público cantando, dançando e reproduzindo suas coreografias até o fim. 
 

Rock in Rio em números: um festival de superlativos 
 

Os números ajudam a dimensionar a grandiosidade de uma das maiores experiências de música e entretenimento do mundo. Ao longo de sete dias, o Rock in Rio reuniu mais de 700 mil pessoas na Cidade do Rock, sendo 49% vindas de fora do estado do Rio de Janeiro, com fãs de 89 países, e movimentou um impacto econômico de R$ 3,36 bilhões. O festival gerou ainda 33,9 mil empregos diretos e indiretos e credenciou 30 mil pessoas para atuar na operação. Na programação, foram 190 shows, mais de 1.300 artistas e 45 apresentações internacionais. 
 

Mais do que números, a edição de 2026 reforçou a capacidade do Rock in Rio de transformar a Cidade do Rock em uma verdadeira cidade temporária, com uma operação de grande escala para receber o público. Para colocar tudo de pé, foram mobilizados 120 quilômetros de fios elétricos, distância equivalente a aproximadamente 16 voltas na Lagoa Rodrigo de Freitas; 90 mil m² de grama sintética; 65,85 toneladas de cenografia nos palcos; e 5.136,50 m² de painéis de LED. A estrutura de atendimento contou ainda com 1.314 banheiros e 168 bebedouros distribuídos pela Cidade do Rock. O aplicativo oficial acompanhou a jornada do público antes e durante o festival, com 530 mil downloads ao longo da edição, média de 170 mil acessos diários e mais de 100 mil bebidas vendidas antecipadamente. 
 

A experiência também começou antes de chegar à Cidade do Rock. Ao longo dos seis dias de festival, a operação de transportes garantiu o deslocamento de milhares de pessoas: cerca de 300 mil passageiros utilizaram o BRT Expresso Rock in Rio, enquanto o metrô registrou aproximadamente 240 mil embarques por dia durante o evento. Já o Primeira Classe transportou cerca de 150 mil pessoas, conectando a Cidade do Rock a mais de 40 destinos. 
 

Uma cidade de experiências, sabores e encontros 
 

A gastronomia também ocupou espaço de destaque na experiência do público. Durante a edição, a Gourmet Square recebeu mais de 165 mil pessoas ao longo dos seis dias de festival, enquanto, na Área Vip, foram consumidas 80 toneladas de comida. O Rock in Rio Club recebeu até mil pessoas simultaneamente e mais de 2,5 mil pessoas por dia durante o festival. A operação também vendeu diariamente mais de 500 hambúrgueres inspirados no Rock in Rio Café. 
 

Na Capela da Rota 85 foram realizadas 1260 celebrações do amor, uma média de 180 por dia, e quatro casamento oficiais. Entre as experiências, o ECCO, by Lightwire, espetáculo sensorial e imersivo em 360° criado exclusivamente para o Rock in Rio 2026, emocionou mais de 25 mil pessoas que passaram pela Arena 1. Ao todo, as experiências da Cidade do Rock foram vivenciadas por mais de 266 mil pessoas nesta edição. 
 

Por Um Mundo Melhor: impacto que continua depois do festival 
 

A dimensão do Rock in Rio também se estende para além dos dias de evento. Na parceria com a Ação da Cidadania, mobilização nacional de combate à fome, foram contabilizados mais de 866 mil pratos de comida doados até o fim desta edição. O volume de refeições foi acompanhado diariamente, em tempo real, pelo “Pratômetro” instalado na Cidade do Rock. 
 

A gestão de resíduos foi outra operação de grande escala. Ao longo do festival, a Comlurb recolheu 40 toneladas de resíduos por dia, sendo 80% de materiais potencialmente recicláveis. Deste total, 34,5%% já foram triados por 22 catadores e 60 catadoras. Um total de 82 postos de trabalho foram criados, com a participação de seis cooperativas. O valor da diária dos catadores envolvidos na ação é 248% maior do que o salário-mínimo nacional proporcional ao dia de trabalho. 
 

O compromisso com o impacto positivo também se estende para depois do festival. O leilão teve itens assinados por 42 bandas/atrações, incluindo guitarras autografadas por Bring Me The Horizon, Foo Fighters e Gilberto Gil, camisetas assinadas por Calvin Harris, Nova Twins, João Gomes, NEXZ e HWASA, entre outros, como vinis, setlists e baquetas. O leilão tem início na segunda-feira, 14 de setembro, e segue até o dia 25 deste mês. 
 

Música, encontros e diferentes sotaques na Cidade do Rock 
 

Com a plateia cheia, Marvvila levou o vozeirão e a força do pagode carioca ao Espaço Favela, em uma apresentação marcada pela participação de convidadas como Amanda Amado, Mannda Lym e Aline Wirley, ex-integrante do Rouge. No repertório, sucessos como “Acredita” e “A Pagodeira” dividiram espaço com clássicos do samba e do pagode, além de uma versão de “Killing Me Softly with His Song”, em arranjos acompanhados pela banda completa e pelo cavaquinho de Ayla Albuquerque. 
 

Em sua estreia no Rock in Rio, Suel fez uma viagem no tempo pelos sucessos que marcaram sua trajetória à frente do Imaginasamba, como “Dúvida” e “Para de Pirraça”. O repertório também trouxe clássicos do pagode, como “Derê”, do Soweto, e “Deixa Acontecer”, do Grupo Revelação. O Espaço Favela encerrou a programação deste domingo (13) com o baile funk comandado por Dennis DJ. Com telões de LED, efeitos visuais e luzes sincronizadas, o produtor levou uma estrutura de grande porte ao palco e colocou o público para dançar ao som de hits como “Malandramente”, “Tá OK” e “Deixa de Onda”. A apresentação também contou com uma homenagem a Mr. Catra, participação de Tília e um momento especial com o Coral das Quebradas. 
 

O palco Supernova começou o último dia de festival com o rapper AR Baby, que apresentou seu novo álbum, “Mestiço”, e sucessos como “Fundamentos das Ruas”, parceria com L7nnon. Em seguida, Bruna Black fez o público dançar com sua musicalidade influenciada pelos vizinhos nordestinos. A artista apresentou parcerias com Jota.pê e ÀVUÀ, em “Conte Comigo”, e com Chico César, em “Marrom Cremoso”. A terceira atração da noite foi Sant, que fez um show lotado e deuspoiler do novo álbum, além de presentear os fãs com artes produzidas durante a apresentação pelo criador das capas de seus discos. Encerrando a programação do Supernova nesta edição, Lourena apresentou o show de sua turnê acústica, com participações de Sant e 3030, e levantou o público com hits como “Dizeres”. 
 

No Global Village, Kynnie surgiu vestida de freira e acompanhada por dançarinos segurando bíblias, em referência ao filme “Mudança de Hábito”. Ao longo da apresentação, o repertório combinou músicas próprias, como “Pegada de Vilã”, “Me Curar” e “Pretinho”, entre outras, com arranjos de músicas de Lauryn Hill e Snoop Dogg. Kynnie também prestou homenagem a Preta Gil ao cantar “Oro”, música que gravaram juntas. 
 

Já Lucy Alves foi a segunda artista a se apresentar no palco, com sua sanfona e seu gingado, cativando o público e transformando o espaço em um grande forró. “Esse festival é sobre tocar as pessoas com a música”, disse a cantora, reforçando a gratidão por passar pelo Rock in Rio. No fim do dia, Haley Smalls fez sua estreia no Brasil. A cantora canadense encantou a plateia, arriscou algumas palavras em português e agradeceu ao público pela hospitalidade brasileira. 
 

No New Dance Order, o último domingo do Rock in Rio foi dedicado à música eletrônica, reunindo diferentes vertentes da cena em uma sequência de apresentações que manteve a pista aquecida até a madrugada. A programação começou com o Dawn Patrol, projeto que reúne Maz, Antdot, Riascode e Bakka, seguido por Illusionize, Roddy Lima e John Summit, que encerrou a noite. Os artistas conduziram o público por diferentes atmosferas e sonoridades da música eletrônica, em uma programação marcada por sets dançantes, forte conexão com a pista e energia crescente até o fechamento do festival. 

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