Cinema: A vida Invisível

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O Cultuado diretor, Karim Aïnouz responsável por obras como Madame Satã (2002), O Céu de Suely (2006) e Praia do Futuro (2014), continua tendo a análise de conflitos internos como fonte de inspiração. Como acontece novamente no seu mais recente trabalho,  A Vida Invisível, vencedor do prêmio de Melhor Filme da Mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes e escolhido o representante brasileiro na corrida pelo Oscar 2020 de Melhor Filme Internacional.

Baseado no livro de Martha Batalha, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” conta a história de duas irmãs inseparáveis, Eurídice, 18 (Carol Duarte) e Guida, 20 (Júlia Stockler), são criadas em uma tradicional família de descendentes de portugueses, e cada uma tem um sonho: uma quer se tornar uma renomada pianista e outra encontrar o amor verdadeiro. Mas, são separadas pelo pai por convenções sociais do Rio de Janeiro dos anos 1950.

E por causa disso, Eurídice e Guida devem abandonar seus sonhos e desejos para se encaixar nos moldes da epóca, se tornando mulheres que colocam a vida dos outros em primeiro lugar, fazendo com que suas vidas e histórias sejam apagadas por aqueles que mais amam. 

Os homens, que apesar de não serem os protagonistas do filme, mas são da vida das duas irmãs, e não se importam com os sentimentos e desejos das duas. Tanto o marido de Eurídice (Gregório Duvivier), quanto seu pai (António Fonseca), conversam sobre sua vida, com ela presente, mas como se não estivesse. E deixam claro, que o corpo é quem tem importância, pois serve ao seu marido para constituir uma família, e com isso, ela acaba servindo ao seu pai também. Uma mulher que não precisa sonhar, pensar, querer, apenas agir de maneira que beneficie à sua família.

Apesar da separação, a esperança que elas têm de se reencontrar continua viva, sendo representada através das cartas que elas escrevem uma para a outra, o momento no qual elas conseguem se expressar e colocar pra fora tudo aquilo que sentem! Guida, mesmo sendo marginalizada pela sociedade, conseguiu ser dona da própria vida. Já Eurídice, não teve tanta sorte, e mesmo na velhice nunca conseguiu ser protagonista da própria vida, mas não perdeu a esperança, algo que mesmo tentando, nenhum homem conseguiu tirar.  

O elenco está excelente, mas a breve participação de Fernanda Montenegro na pele de Eurídice idosa é completamente avassaladora, emocionando o público o suficiente para merecer finalmente e merecidamente um Oscar!

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