Saúde: Toy Story 5 reacende debate sobre telas e infância; especialista alerta para impactos no desenvolvimento

O quinto filme da saga Toy Story, que estreou recentemente, leva às telonas um tema cada vez mais presente na rotina das famílias: a relação das crianças com as telas. Na nova história, os tradicionais brinquedos enfrentam um novo “concorrente” pela atenção dos pequenos, um dispositivo eletrônico, trazendo à tona uma reflexão sobre os efeitos do uso excessivo de celulares e tablets na infância.Para o psicólogo Miguel Lessa, coordenador do curso de Psicologia da Wyden, a discussão proposta pelo filme vai ao encontro de uma preocupação crescente entre especialistas. Segundo ele, o excesso de tempo diante das telas pode comprometer diferentes áreas do desenvolvimento infantil.”O cérebro da criança precisa de experiências variadas para se desenvolver. Quando ela passa muito tempo diante da tela, recebe estímulos rápidos e imediatos, o que pode dificultar, mais tarde, a capacidade de manter a atenção, a concentração e o foco em uma atividade”, explica.Além dos prejuízos cognitivos, o especialista destaca que a exposição excessiva também pode afetar a comunicação e as relações sociais. Como a interação com o celular é predominantemente passiva, a criança tende a conversar menos, o que pode impactar o desenvolvimento da fala e da linguagem. Ao mesmo tempo, o tempo dedicado aos dispositivos acaba substituindo brincadeiras, momentos de criatividade e o convívio com outras crianças, fundamentais para o aprendizado de habilidades como empatia, cooperação e respeito às regras.Outro ponto de atenção está na saúde emocional. De acordo com Miguel Lessa, a dinâmica das redes sociais e dos conteúdos digitais oferece recompensas imediatas, fazendo com que algumas crianças desenvolvam maior dificuldade para lidar com a espera e com as frustrações do dia a dia. “Isso pode aumentar a ansiedade, a irritabilidade e até desencadear comportamentos agressivos dentro de casa”, afirma.Os reflexos também podem aparecer na saúde física. O psicólogo lembra que o sedentarismo, o aumento do risco de obesidade e problemas de visão, como fadiga visual e miopia, estão entre as consequências associadas ao uso prolongado de dispositivos eletrônicos.Quando os pais devem se preocupar?Segundo o especialista, o principal sinal de alerta é a mudança no comportamento da criança. Dificuldade para dormir, isolamento, preferência por permanecer no quarto usando o celular, perda de interesse por brincadeiras e atividades que antes eram prazerosas, queda no desempenho escolar e oscilações de humor, especialmente irritabilidade e agressividade, podem indicar que o uso das telas deixou de ser saudável.Embora a tecnologia faça parte da rotina das famílias, Miguel Lessa ressalta que é possível estabelecer uma relação mais saudável com os dispositivos. O primeiro passo é definir regras claras sobre o tempo e os momentos em que o celular poderá ser utilizado, sempre em comum acordo entre pais e filhos e com consistência no cumprimento dessas combinações.O psicólogo também reforça que os adultos precisam dar o exemplo. “Se os pais passam grande parte do tempo no celular, a tendência é que os filhos reproduzam esse comportamento. Aproveitar os momentos de convivência para conversar e brincar faz toda a diferença.”Outra estratégia é incentivar atividades que despertem prazer fora das telas, como passeios em praças, andar de bicicleta, brincar ao ar livre e outras experiências que estimulem a criatividade, o movimento e a interação social.Para Miguel Lessa, mais do que demonizar a tecnologia, o desafio é garantir que ela ocupe um espaço equilibrado na rotina infantil, preservando experiências essenciais para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.

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