Pauta exclusiva: Projeto Verão Capilar: 7 cuidados para preparar os cabelos antes da chegada do calor

Sol, piscina, água do mar e altas temperaturas podem aumentar ressecamento e quebra dos fios; especialistas explicam por que outubro é o momento de começar a preparação.

O verão ainda não chegou, mas quem pretende passar os próximos meses entre praia, piscina e dias de maior exposição ao sol pode começar agora a preparar os cabelos. A combinação de radiação solar, altas temperaturas, vento, cloro e sal pode favorecer ressecamento, opacidade, frizz e quebra, principalmente quando os fios já passaram por coloração, descoloração ou outros processos químicos.

É daí que surge a ideia do “Projeto Verão Capilar”: em vez de esperar janeiro para tentar recuperar os danos, outubro pode marcar o início de uma rotina de hidratação, nutrição e proteção adaptada às necessidades de cada cabelo.

Para Michelle Vianna, fisioterapeuta dermatofuncional e tricologista com mais de 20 anos de experiência, essa preparação também é uma oportunidade para observar como os cabelos estão chegando à estação.

“O cabelo dá informações importantes sobre o que está acontecendo com ele. Textura, espessura, densidade, oleosidade e características do couro cabeludo podem se modificar. Por isso, antes de simplesmente aumentar a quantidade de produtos, precisamos entender se estamos diante de uma fibra ressecada e danificada ou se existe uma alteração de queda, afinamento ou couro cabeludo que merece outro tipo de cuidado”, explica Michelle.

1. Comece a hidratação antes de o ressecamento aparecer

A hidratação ajuda a melhorar a maleabilidade e o aspecto dos fios e pode ser intensificada antes da temporada de maior exposição. Quem já chega ao verão com cabelos ressecados ou sensibilizados pode perceber os efeitos do sol, mar e piscina de maneira ainda mais evidente.

“Quando a gente começa a preparar o cabelo antes do período de maior exposição, conseguimos trabalhar a hidratação e a nutrição dos fios de forma preventiva. O objetivo é deixar essa fibra mais equilibrada para enfrentar a rotina do verão”, afirma a cabeleireira Rose Alves.

O cuidado ganha ainda mais importância em cabelos descoloridos ou submetidos frequentemente a ferramentas térmicas. Isso não significa, porém, estabelecer uma frequência universal de máscaras: o intervalo deve acompanhar as condições do fio.

2. Nutrição pode ser uma aliada contra frizz e aspecto áspero

Se a hidratação está relacionada principalmente à reposição de água, a nutrição entra como uma estratégia para repor lipídios e melhorar características como maciez, brilho e frizz. Óleos e máscaras nutritivas podem fazer parte da rotina, mas quantidade maior de produto não significa necessariamente resultado melhor.

Rose explica que a aparência e o toque ajudam a perceber o que o cabelo está pedindo.

“O cabelo dá sinais. Se está poroso, sem brilho, embaraçando muito ou quebrando, precisamos entender o que ele está pedindo. O cronograma deve ser personalizado e acompanhado ao longo do tempo. Às vezes, o que aquele cabelo precisa é de hidratação; em outros momentos, a nutrição pode fazer mais sentido”, orienta.

3. Reconstrução não é sinônimo de cabelo mais saudável

A terceira etapa que costuma aparecer nos cronogramas é a reconstrução, especialmente associada a cabelos quimicamente tratados. Ela pode ser útil quando existe comprometimento da resistência da fibra, mas não precisa ser feita indiscriminadamente.

É justamente nesse ponto que a personalização ganha importância. Um cabelo natural e saudável não necessariamente precisa do mesmo protocolo de um fio que passou recentemente por descoloração.

“Não existe uma receita única para todo mundo. Um cabelo natural, um cabelo com coloração e um cabelo descolorido têm necessidades diferentes. Antes de montar o cronograma, é importante observar a condição dos fios para não exagerar em determinados tratamentos”, explica Rose.

4. Não confunda quebra com queda de cabelo

Encontrar fios no banho durante o verão pode levar à conclusão de que praia, piscina ou sol estão fazendo o cabelo “cair”. Mas é importante diferenciar a quebra da fibra da queda que acontece a partir do couro cabeludo.

O Dr. Alberto Correia, especialista em transplante capilar, explica que mudanças persistentes no padrão de queda ou na densidade não devem ser tratadas apenas com cosméticos.

“O cabelo possui um ciclo natural de crescimento e queda. O problema é quando existe uma mudança importante nesse padrão, seja pelo aumento expressivo da quantidade de fios que caem, seja pela percepção de que determinadas regiões estão ficando progressivamente mais ralas. São situações que precisam ser diferenciadas porque as causas e as abordagens podem ser completamente distintas”, explica Alberto.

Para Michelle Vianna, observar o volume também é importante. Nem sempre uma alteração capilar se manifesta por tufos de cabelo no banho.

“Às vezes, a pessoa diz que o cabelo não está caindo, mas percebe que tem muito menos volume do que antes. A risca pode estar mais evidente ou o rabo de cavalo mais fino. Quando existe uma mudança importante no padrão daquele cabelo, não devemos atribuir automaticamente ao clima, ao verão ou à idade. Precisamos entender o que está acontecendo”, acrescenta Michelle.

5. Proteção precisa começar antes de chegar à praia

A nécessaire de verão dos cabelos também pode incluir produtos destinados à proteção dos fios durante a exposição solar. Já para quem utiliza secador, chapinha ou modeladores, a proteção térmica continua importante.

Além dos cosméticos, acessórios podem ser aliados. Chapéus ajudam a diminuir a exposição direta do cabelo e do couro cabeludo durante períodos prolongados ao ar livre.

Para Michelle, o couro cabeludo não deve desaparecer da rotina de cuidados só porque a preocupação estética costuma estar concentrada no comprimento.

“Quando falamos em saúde capilar, precisamos olhar para todo o conjunto. Não adianta pensar apenas em deixar o comprimento bonito e ignorar o couro cabeludo. Oleosidade excessiva, coceira, descamação, vermelhidão ou qualquer mudança persistente também precisam ser observadas”, explica a tricologista.

6. Saiu do mar ou da piscina? Retire os resíduos dos fios

Passar o dia alternando mergulhos no mar e na piscina faz parte das férias de muita gente. Para o cabelo, entretanto, significa exposição repetida ao sal, ao cloro, ao sol e ao vento.

Quando possível, enxaguar os cabelos com água limpa depois do mergulho ajuda a retirar resíduos. Posteriormente, a higienização e o condicionamento adequados completam o cuidado.

“Um erro muito comum é passar horas com o cabelo cheio de resíduos e só pensar nele no final do dia. No verão, esses pequenos hábitos fazem diferença. Retirar o excesso de sal ou cloro e depois higienizar corretamente ajuda a evitar que o fio fique cada vez mais áspero e difícil de manejar”, orienta Rose.

Quem possui cabelo descolorido merece atenção especial porque já parte de uma fibra que pode estar mais sensibilizada.

7. Não tente “blindar” o cabelo usando tudo ao mesmo tempo

A ideia de preparar os cabelos para o verão pode levar ao excesso: máscara em todas as lavagens, óleo em grandes quantidades, reconstrução frequente, leave-in, séruns e diferentes tratamentos utilizados simultaneamente.

Mas “Projeto Verão Capilar” não deveria significar acumular produtos. O objetivo é construir uma rotina coerente com as necessidades do cabelo e modificá-la conforme os fios respondem.

Michelle lembra que nem toda mudança percebida nos cabelos será resolvida intensificando um cronograma.

“O cabelo acompanha as mudanças do organismo. Hormônios, envelhecimento, condições do couro cabeludo, rotina e diferentes acontecimentos ao longo da vida podem interferir no ciclo capilar. O problema é quando normalizamos qualquer afinamento ou queda. Se existe uma mudança importante, precisamos investigar em vez de simplesmente tentar compensá-la com mais produtos”, afirma.

Alberto Correia reforça que suplementos e produtos vendidos com a promessa de acelerar o crescimento também não devem substituir a investigação quando existe queda persistente.

“Antes de tentar estimular o crescimento de qualquer maneira, precisamos entender por que aquele fio está caindo. Se o cabelo perdeu volume, a risca está abrindo, o couro cabeludo ficou mais visível ou a queda aumentou de maneira persistente, vale investigar”, orienta.

Para Rose Alves, começar em outubro tem justamente a vantagem de tirar o cabelo da lógica da recuperação de emergência. Há tempo para observar como os fios respondem, ajustar hidratação, nutrição e reconstrução e estabelecer cuidados que possam continuar durante os meses mais quentes.

“Preparar o cabelo para o verão não significa buscar uma transformação de última hora. É chegar ao período de maior exposição conhecendo melhor aquele fio e mantendo uma rotina que ajude a preservar hidratação, maciez e resistência. O cuidado precisa acompanhar o cabelo, porque as necessidades podem mudar”, finaliza Rose.

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