Beauty: 7 tendências capilares que podem estar destruindo o seu cabelo sem você perceber

O universo da beleza nunca teve tantas tendências capilares ao mesmo tempo. Enquanto os cortes pixie e bixie conquistam espaço, os cabelos ultralongos continuam entre os mais desejados. Produtos coreanos prometem transformar a rotina de cuidados, proteínas ganham destaque nas máscaras de tratamento e até o frizz, antes combatido, aparece como protagonista nas passarelas.

Mas nem toda novidade funciona para todos os cabelos. O problema não está necessariamente na tendência, mas na maneira como ela é incorporada à rotina. Excesso de produtos, mudanças químicas frequentes e expectativas irreais sobre crescimento podem comprometer a saúde capilar. Sete especialistas explicam quais cuidados merecem atenção antes de aderir às novidades.

1. Skincare coreano para cabelos: mais produtos significam fios mais saudáveis?

A influência da beleza coreana chegou ao universo capilar com séruns, essências, ampolas e tratamentos específicos para o couro cabeludo. A proposta de transformar os cuidados com os fios em um ritual semelhante ao skincare facial ganhou adeptas, mas também trouxe uma dúvida: será que todo cabelo precisa de tantas etapas? A resposta depende das características individuais, especialmente em um país com diferentes climas, texturas capilares e condições de couro cabeludo.

“A grande contribuição da cosmetologia coreana está na valorização da prevenção e no respeito à barreira cutânea. Mas é importante entender que as necessidades variam de pessoa para pessoa. No Brasil, precisamos considerar o clima, a oleosidade, as características do couro cabeludo e os hábitos de cada paciente. Não basta reproduzir uma rotina que viralizou ou utilizar vários produtos ao mesmo tempo. O cuidado precisa ser individualizado para preservar a saúde da pele e dos fios”, explica a Dra. Tatyana Braga, dermatologista e tricologista, especializada em Cosmiatria pelo Hospital Albert Einstein, RQE 39552.

2. Pixie e bixie: o arrependimento pode durar mais do que você imagina

Os cortes curtinhos voltaram a ganhar destaque, especialmente o pixie, com fios mais curtos, e o bixie, que mistura características do bob e do pixie. A transformação pode ser libertadora, mas exige uma decisão consciente. Quem está acostumada aos cabelos longos precisa considerar que recuperar o comprimento leva tempo. Em média, os fios crescem aproximadamente um centímetro por mês, embora esse ritmo varie entre as pessoas.

“O crescimento do cabelo segue um ciclo biológico que precisa ser respeitado. Muitas pessoas acreditam que determinados produtos ou tratamentos conseguem acelerar esse processo de maneira extraordinária, mas não funciona assim. Quando existe alguma alteração que compromete o crescimento, precisamos investigar a causa. Já quando o cabelo está saudável, é importante compreender que recuperar um comprimento exige paciência e cuidados para preservar os fios durante esse período”, orienta a Dra. Amanda Caroline Costa Leitão, médica com atuação em transplante capilar, CRM-SP 190.505.

3. Proteína no cabelo: quando a reconstrução deixa de ser uma aliada

Máscaras com queratina, aminoácidos e proteínas passaram a ocupar lugar de destaque nas rotinas de beleza. A promessa de recuperar cabelos danificados é especialmente atraente para quem faz colorações, descolorações ou utiliza ferramentas térmicas frequentemente. Entretanto, nem toda fibra precisa de reconstrução constante. Dependendo da formulação e da frequência de uso, o excesso de determinados tratamentos pode deixar os fios rígidos e com pouca maleabilidade, aumentando a possibilidade de quebra.

“Precisamos entender que o cabelo tem necessidades diferentes de acordo com seu histórico químico e suas características. Nem sempre acrescentar mais um produto ou intensificar um tratamento significa melhorar a qualidade dos fios. O excesso de procedimentos e o uso inadequado de cosméticos podem comprometer o resultado. O ideal é avaliar as condições da fibra capilar e estabelecer uma rotina que respeite aquilo de que aquele cabelo realmente precisa”, explica a Dra. Angélica Pimenta, dermatologista e tricologista.

4. Espresso Brunet: a coloração escura também pode danificar o cabelo?

Os castanhos profundos, brilhantes e inspirados na tonalidade do café espresso ganharam espaço entre as tendências de coloração. A proposta valoriza uma aparência sofisticada e uniforme, mas pode levar à falsa impressão de que escurecer os fios é sempre um procedimento inofensivo. Embora geralmente exija menos agressão química do que clareamentos intensos, a coloração escura também precisa considerar o histórico de tratamentos, a resistência da fibra e as condições atuais do cabelo.

“Não acredito que exista uma cor proibida por causa da idade. O que existe é uma conversa sobre aquilo que valoriza aquela pessoa naquele momento e, principalmente, sobre as condições atuais da fibra capilar. Antes de definir uma nova coloração ou descoloração, precisamos avaliar o histórico químico e entender o que aquele cabelo realmente suporta. O objetivo é alcançar um resultado bonito sem comprometer a saúde dos fios”, explica Odila Martins, cabeleireira e terapeuta capilar com mais de 20 anos de experiência.

5. Frizz natural: a tendência das passarelas significa abandonar os tratamentos?

Depois de temporadas dominadas pelos cabelos extremamente alinhados, o frizz passou a aparecer como parte de uma estética mais natural, inclusive em referências de moda como a Prada. A mudança ajuda a questionar a ideia de que todo fio arrepiado precisa ser eliminado. Afinal, o frizz pode fazer parte da textura natural do cabelo e não representa, isoladamente, um problema. A atenção deve surgir quando ele aparece acompanhado de ressecamento intenso, quebra, aspereza ou alterações importantes na qualidade da fibra.

“A saúde capilar precisa ser observada de maneira individualizada. Nem toda característica estética representa uma alteração que necessita de tratamento. O importante é identificar quando existe uma mudança real na qualidade dos fios ou nas condições do couro cabeludo. Quando percebemos quebra excessiva, perda de resistência ou alterações persistentes, precisamos investigar o que está acontecendo antes de escolher qualquer procedimento”, explica a Dra. Karla Fonseca, médica especialista em medicina capilar.

6. Perfumes capilares: o hábito de deixar os fios cheirosos pode trazer problemas?

Os perfumes desenvolvidos especialmente para os cabelos transformaram a fragrância em mais uma etapa da rotina de beleza. O produto pode ser utilizado para complementar a perfumação, mas não deve substituir a higienização adequada. Além disso, fórmulas com fragrâncias podem provocar irritação ou sensibilidade em algumas pessoas, especialmente quando aplicadas diretamente no couro cabeludo. O uso excessivo de diferentes cosméticos também pode dificultar a identificação de qual produto está causando determinada reação.

“Às vezes, simplificar é o que está faltando. Antes de acrescentar mais um produto ou tratamento, precisamos avaliar as condições da fibra capilar, seu histórico químico, os hábitos de cuidado e as necessidades reais daquele cabelo. Em alguns casos, o mais importante não é adicionar tratamentos, mas reduzir as agressões e adequar a rotina. Não existe uma fórmula única para todas as pessoas”, orienta Michelle Vianna, fisioterapeuta dermatofuncional e tricologista, membro da Academia Brasileira de Tricologia e CEO da Michelle Vianna Dermatocapilar.

7. Cabelos ultralongos: deixar crescer a qualquer custo pode comprometer os fios?

Os cabelos extremamente longos continuam associados à feminilidade e ao glamour, mas manter o comprimento exige mais do que simplesmente abandonar a tesoura. Quanto maior o fio, mais tempo suas pontas ficaram expostas ao calor, ao atrito, à radiação solar e aos procedimentos químicos. Outro erro comum é confundir dificuldade de crescimento com quebra: o cabelo pode continuar crescendo normalmente na raiz, mas perder comprimento porque suas pontas estão fragilizadas.

“É importante entender que o crescimento do cabelo depende da saúde dos folículos e do ciclo capilar. Quando existe uma dificuldade importante de crescimento, afinamento ou queda, precisamos investigar o que está acontecendo. Nem sempre o problema está no comprimento. Existem diferentes condições que podem interferir na saúde capilar e cada uma exige uma abordagem específica. O diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento mais adequado”, explica o Dr. Alan Wells, especialista em transplante capilar com mais de 20 anos de experiência e desenvolvedor da técnica Wells Unshaven Transplant (WUT).

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