Dia Mundial da Menopausa: Por que a menopausa afeta a saúde do corpo inteiro

A menopausa está saindo das sombras. Em todo o mundo, em ritmos diferentes, ela vem ganhando espaço nas conversas entre figuras públicas, influenciadores e empresas, marcando uma mudança cultural há muito tempo necessária.1,2  

Essa crescente visibilidade está ajudando a normalizar conversas que antes eram mantidas em âmbito privado ou ignoradas. Mais mulheres estão buscando informações, e mais locais de trabalho estão começando a responder a essa demanda.3,4 

Mas maior visibilidade nem sempre significa maior clareza. À medida que a menopausa passa a fazer parte do debate público, informações médicas precisas muitas vezes se misturam a crenças ultrapassadas e pressupostos culturais. Essa confusão se reflete nos dados.1 

Uma pesquisa global da Ipsos, realizada em diversos países, como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, revelou que menos da metade dos adultos na maioria desses países se considera bem-informada sobre a menopausa.5 

A falta de informação ainda é mais evidente em relação às opções de tratamento, especialmente à terapia hormonal da menopausa (THM). Em uma pesquisa brasileira recente, menos de uma em cada três mulheres estava satisfeita com as informações que havia recebido sobre a menopausa e suas opções de tratamento, enquanto quase nove em cada dez tinham pouco ou nenhum conhecimento sobre THM.6 

Parte do problema está no fato de que a saúde hormonal das mulheres tem sido, há muito tempo, mal compreendida.1 

A seguir, quatro fatos pouco conhecidos que mostram como os hormônios podem influenciar profundamente a saúde das mulheres. 

  1. A alteração hormonal afeta o corpo inteiro, não apenas a reprodução

Os ovários não estão relacionados apenas à fertilidade. Eles produzem hormônios, especialmente o estrogênio, que está envolvido na regulação de praticamente todos os principais tecidos do corpo feminino.1,7 Os hormônios influenciam o cérebro, o coração, os ossos, o metabolismo, o sistema urinário, a pele e os músculos.7 As oscilações nos níveis de estrogênio durante a perimenopausa e o climatério provocam efeitos em todo o organismo.7 

É por isso que o climatério está associado a mais de 40 sintomas reconhecidos, e não apenas a ondas de calor e suores noturnos.8Distúrbios do sono, lapsos de memória, dores nas articulações, sintomas urinários, alterações na saúde sexual, mudanças de humor e até palpitações cardíacas podem decorrer das alterações hormonais.9 Como esses sintomas surgem gradualmente e variam muito entre as pessoas, muitas mulheres não os reconhecem imediatamente como relacionados aos hormônios.7 

  1. A perimenopausa pode começar muito antes de a menstruação cessar

Os ovários envelhecem até 2,5 vezes mais rápido do que o restante do corpo3. Com o avanço da idade, a maturação dos óvulos torna-se irregular e os níveis de estrogênio oscilam, levando a alterações menstruais e ao surgimento de sintomas característicos. Quando a atividade ovariana cessa definitivamente e a menstruação deixa de ocorrer, estabelece-se a menopausa. Mas, na verdade, os níveis de estrogênio começam a diminuir muito antes. 

A perimenopausa, fase de transição anterior à menopausa, pode começar vários anos antes de a menstruação cessar completamente.7 Durante a perimenopausa, os níveis de estrogênio e progesterona começam a mudar e, posteriormente, a diminuir.7 Em média, a perimenopausa dura de 4 a 7 anos. Mas, para algumas mulheres, pode se estender por até 14 anos.10 Um estudo de 2025 constatou que os sintomas da perimenopausa eram comuns em mulheres com apenas 30 anos de idade.11 

  1. A terapia hormonal foi marcada por décadas de interpretações equivocadas

Apesar de ser o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa para muitas mulheres, a THM continua sendo amplamente mal compreendida.12,13 

No entanto, as diretrizes atuais enfatizam que os riscos e benefícios dependem da idade, do momento de início, da formulação e do perfil de risco individual, e que, para a maioria das mulheres que inicia a THM próximo à menopausa, os benefícios superam amplamente os riscos. 

Grande parte do receio em torno da THM remonta ao estudo Women’s Health Initiative, de 2002, cujos resultados foram interpretados de maneira equivocada.1 O estudo concentrou-se principalmente em mulheres com mais de 60 anos que utilizavam um tipo específico de terapia hormonal.1,14 Ainda assim, suas conclusões foram generalizadas para todas as faixas etárias e todos os tipos de tratamento.1,14 

As consequências foram profundas. Especialistas estimam que cerca de 50 milhões de mulheres em todo o mundo podem ter evitado ou deixado de receber terapia hormonal devido a receios exagerados ou imprecisos.15Em 2025, a FDA dos Estados Unidos removeu formalmente a advertência associada à terapia hormonal sistêmica da menopausa, reconhecendo que ela superestimava os riscos para muitas mulheres que iniciavam o tratamento próximo à menopausa.16 

  1. A saúde hormonal influencia a forma como as mulheres envelhecem muito depois da menopausa

O climatério não termina quando os sintomas desaparecem. Para muitas mulheres, ela marca o início de uma nova fase da saúde e da vida, com mudanças que podem influenciar o bem-estar por décadas. 

Após a menopausa, as mulheres podem perder até 20% da densidade óssea nos primeiros cinco a sete anos, enquanto o risco de doenças cardiovasculares também começa a aumentar. À medida que a compreensão sobre a menopausa evolui, especialistas passam, cada vez mais, a considerá-la uma janela crítica para a proteção da saúde no longo prazo.17,18  

“As evidências atuais mostram que, quando a THM é iniciada dentro de 10 anos após a menopausa – geralmente antes dos 60 anos –, ela pode oferecer benefícios substanciais, incluindo alívio dos sintomas, prevenção de fraturas e proteção cardiovascular”1,15,16, afirma Dra. Laís Lucato, ginecologista e gerente médica da divisão de farmacêuticos estabelecidos da Abbott no Brasil. “Isso ocorre porque o estrogênio desempenha um papel fundamental em todas essas áreas, assim como na saúde cerebral, no equilíbrio metabólico, na massa muscular e na qualidade do sono.” 

“Compreender a menopausa como parte de uma jornada hormonal mais ampla, que se estende ao longo de toda a vida, muda a conversa do manejo dos sintomas para a saúde preventiva. A saúde hormonal das mulheres merece a mesma atenção contínua dedicada à saúde do coração ou do cérebro”, complementa a Dra. Laís Lucato.  

À medida que a compreensão sobre a menopausa continua evoluindo, a educação terá um papel cada vez mais importante na redução das lacunas de conhecimento e de cuidado, ajudando as mulheres a tomar decisões não apenas para o alívio imediato dos sintomas, mas também para um envelhecimento mais saudável nas décadas após a menopausa. 

Ao ajudar as mulheres a compreender melhor o que acontece durante o climatério e incentivar conversas mais precoces e informadas com profissionais de saúde, a Abbott busca capacitá-las a tomar decisões confiantes sobre sua saúde hoje. Para quem deseja saber mais sobre o tema, a página Saúde Feminina | Abbott Brasil oferece informações e recursos que contribuem para uma jornada de saúde mais informada e para um envelhecimento mais saudável no futuro. 

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